Poeta desconhecido,
Versos esquecidos
Nas páginas de um
Caderno qualquer,
As palavras escritas,
Porém, nunca lidas,
Momentos, mágoas,
Teu viver, teu rimar,
Poeta desconhecido,
Sonetos entristecidos
Rabiscos, versos num
Caderno qualquer,
As lágrimas escritas,
Porém nunca lidas,
Pensamentos, águas,
De teu solitário mar,
Vens navegar comigo,
Por oceanos sem fim,
Entre os dois mundos
Fora e dentro de mim...
zondag 16 november 2014
Cochilos galísticos
O meu velho amigo Hans veio ontem me visitar, está aposentadão e mora perto de Limoges na Franca já há vários anos. Grande lateral direito, uma locomotiva diesel nos campos de futebol enlameados e cheios de neve das várzeas holandesas. O Hans é uma dessas pessoas que tem o dom de fazer a gente rir, à mim pelo menos. Tempos atrás teve um ataque cardíaco, coitado, bem no meio de umas de suas escapadas atrás de algum ponteiro esquerdo. Desmaiou ali mesmo, e por sorte paasava alguém que tinha feito um desses cursos de primeiros socorros e o reanimou até a ambulância chegar. O Hans quase morreu e o cirurgião que o desentupiu as veias disse que foi um milagre.
E milagres acontecem, eu acredito neles, pois é um milagre estar vivo aqui, escrevendo essas bobagens que escrevo, pensando essas bobagens que penso.
A esposa exagerada foi quatro vezes ao supermercado e voltou com sacoladas e mais sacoladas de frutas, as quais magnificamente colocou em exposicão em uma bandeja bem no meio da sala. O Hans acho que nem notou. Chovia muito, sentamos no sofazão, abrimos as garrafas de vinho tinto e relembramos nossas glórias passadas correndo atrás das pelotas. Futebol sempre foi prá mim. Uma paixão, porém para o Hans acho qu é muito mais, um culto ecumênico, uma forma de religião.
Sempre foi assim, infelizmente vai chegando nove horas da noite e vai me dando sono, comeco a bocejar, respirar fundo, vacilar, perder os fios da meada.
Hans reclamou que as galinhas do seu quintal não botavam mais, até xingou feio em holandês as coitadas das aves. Perguntei se era o mesmo galo que tinha, aquele gordão carijó, que prá mim tinha cara de bicha, ô galo cheio de trejeitos, como diria o Mirtão esse galo foi, é, ou um dia vai ser!
Papo vai, papo vem, minha mulher se gabou que eu sabia tudo sobre galos de briga, que os houvera criado em minha juventude lá nos tempos de Londrina. Pronto, a esposa do Hans é uma dessas francesas que não se contentam com explicacões simplificadas, e tive que inventarizar os pormenores de minhas experiências galísticas avícolas.
Ganhara emprestado um galo de um vizinho muito rico que morava do lado da frente de casa. Como tínhamos um terreno muito grande e vazio, com apenas algumas galinhas caipiras ciscando
tranqüilas, seu João me emprestou seu galo índio campeão de mais de 21 lutas nas rinhas proibidas
do interior de São Paulo e Paraná. Nunca vi galo mais lindo e orgulhoso como aquele. Entrou no novo terreiro como um conquistador, abanando as asas vermelhas enormes e cheio de si mesmo cantando forte e afinado, um canto que dava prá ouvir quarteirões de distãncia, apavorando de medo todos os outros galos concorrentes da vizinhanca.
As nossas galinhas caipiras e as branquelas de granja parece até que faziam fila, ciscavam excitadas em volta dele como que a espera de algum convite para uma grande farra, uma grande orgia. O galão galã passeava altaneiro pelo palco daquele meu teatro insólito, eles nem se davam conta de mim, eram os atores principais, aquele menino pobre e sonhador era apenas mais um expectador...
Notei que o papo desinteressava Hans, mas a francesa queria saber mais, os pormenores das lutas, das rinhas, dos rebolos. Que idade que eu tinha, como treinava meus galos, o que acontecia com os que perdiam as lutas. Sabe, gosto de escrever, mas não de falar muito de minha vida para os outros, ainda mais se for em outra língua, holandês por exemplo. Busquei na memória descolorida as cores e
nuancas de meus galos índios, a tessitura caleidoscópica de seda de suas penas das costas, a
musculatura rígida e firme daqueles atletas do meu passado. No fim foi gostoso lembrar disso, acho
que a moca ficou boqueaberta com todo aquele súbito conhecimento galístico. Notei que o velho
Hans cochilava um pouco. Eu também queria fechar os olhos e me esquecer de tudo, dormir trezentas horas talvez. Porém as noites foram feitas para serem curtas demais, talvez assim como a vida da gente, que vai passando como um vôo, tal qual meus galos índios e os cochilos do Hans...
E milagres acontecem, eu acredito neles, pois é um milagre estar vivo aqui, escrevendo essas bobagens que escrevo, pensando essas bobagens que penso.
A esposa exagerada foi quatro vezes ao supermercado e voltou com sacoladas e mais sacoladas de frutas, as quais magnificamente colocou em exposicão em uma bandeja bem no meio da sala. O Hans acho que nem notou. Chovia muito, sentamos no sofazão, abrimos as garrafas de vinho tinto e relembramos nossas glórias passadas correndo atrás das pelotas. Futebol sempre foi prá mim. Uma paixão, porém para o Hans acho qu é muito mais, um culto ecumênico, uma forma de religião.
Sempre foi assim, infelizmente vai chegando nove horas da noite e vai me dando sono, comeco a bocejar, respirar fundo, vacilar, perder os fios da meada.
Hans reclamou que as galinhas do seu quintal não botavam mais, até xingou feio em holandês as coitadas das aves. Perguntei se era o mesmo galo que tinha, aquele gordão carijó, que prá mim tinha cara de bicha, ô galo cheio de trejeitos, como diria o Mirtão esse galo foi, é, ou um dia vai ser!
Papo vai, papo vem, minha mulher se gabou que eu sabia tudo sobre galos de briga, que os houvera criado em minha juventude lá nos tempos de Londrina. Pronto, a esposa do Hans é uma dessas francesas que não se contentam com explicacões simplificadas, e tive que inventarizar os pormenores de minhas experiências galísticas avícolas.
Ganhara emprestado um galo de um vizinho muito rico que morava do lado da frente de casa. Como tínhamos um terreno muito grande e vazio, com apenas algumas galinhas caipiras ciscando
tranqüilas, seu João me emprestou seu galo índio campeão de mais de 21 lutas nas rinhas proibidas
do interior de São Paulo e Paraná. Nunca vi galo mais lindo e orgulhoso como aquele. Entrou no novo terreiro como um conquistador, abanando as asas vermelhas enormes e cheio de si mesmo cantando forte e afinado, um canto que dava prá ouvir quarteirões de distãncia, apavorando de medo todos os outros galos concorrentes da vizinhanca.
As nossas galinhas caipiras e as branquelas de granja parece até que faziam fila, ciscavam excitadas em volta dele como que a espera de algum convite para uma grande farra, uma grande orgia. O galão galã passeava altaneiro pelo palco daquele meu teatro insólito, eles nem se davam conta de mim, eram os atores principais, aquele menino pobre e sonhador era apenas mais um expectador...
Notei que o papo desinteressava Hans, mas a francesa queria saber mais, os pormenores das lutas, das rinhas, dos rebolos. Que idade que eu tinha, como treinava meus galos, o que acontecia com os que perdiam as lutas. Sabe, gosto de escrever, mas não de falar muito de minha vida para os outros, ainda mais se for em outra língua, holandês por exemplo. Busquei na memória descolorida as cores e
nuancas de meus galos índios, a tessitura caleidoscópica de seda de suas penas das costas, a
musculatura rígida e firme daqueles atletas do meu passado. No fim foi gostoso lembrar disso, acho
que a moca ficou boqueaberta com todo aquele súbito conhecimento galístico. Notei que o velho
Hans cochilava um pouco. Eu também queria fechar os olhos e me esquecer de tudo, dormir trezentas horas talvez. Porém as noites foram feitas para serem curtas demais, talvez assim como a vida da gente, que vai passando como um vôo, tal qual meus galos índios e os cochilos do Hans...
vrijdag 14 november 2014
Saindo do Armário e bobagens fitológicas
Literalmente falando saí do armário. Não consigo mais me esconder atrás de pseudônimos outrora inventados. Relatar, escrever sempre fez parte de minha vida, todavia, pouquíssima gente teve o prazer ou desprazer de me ler. É algo assim como ir desamarrando nós quase cegos que se embaralham nessas curvas de rio por debaixo desta cinquentenária careca brilhante. Uma ou duas pessoas me enxergaram de verdade por entre as milhares e milhares de outras almas quase literárias quanto a minha. Uma delas foi uma portuguesa professora de botânica na universidade. Devia ter uns sessenta e tantos, era magrinha, quase sumia, mas sempre bem cuidada, de unhas feitas, maquiagem, elegante e ao mesmo tempo brava como ela só. Botânica me interessava muito, mas futebol mais ainda, basquete, música, poesia, sem falar nas meninas bronzeadas de biquini nas piscinas da vida.
Pensando bem, confesso aqui, fui um desses camaradas que passou pelas escolas esperando pelo sinal.
A prova era sobre fotossíntese e absorcão radicular ou qualquer coisa do gênero. Eu havia lido os xerox emprestados rapidamente no ônibus, do Castelo Branco ao campus universitário. O anfiteatro era imenso, lotadíssimo, umas cem pessoas, aquelas cadeiras geladas que doem a bunda da gente, e feitas apenas para destros. Os canhotos que se virem, que se entortem todos, já são tortos mesmo. Fazia um calor infernal, o ventilador um barulhão daqueles. Eu estava apaixonado por uma japonesinha da fisioterapia, a Aniko, que menina meiga, e marcara um encontro na lanchonete. Fui o primeirão a terminar e sair correndo da prova. Entreguei meus rabiscos à portuguesa e corri rumo à porta. Não deu tempo de chegar nem na metade do corredor e ela gritou lá debaixo, abanando o meu teste como se fosse um leque, "miguelangelo, fizeste uma prova miserávelll!" Todo mundo rachou a rir, tem gente que até hoje quando encontro na rua ainda parafraseia a velha portuguesa com seu sotaque engracado. Fiquei encabulado, estava quase lá fora quando ela completou " muito bem sei que não sabes nadinha, mas tenho que te dar um 5,5 pois escreves tão bem!"
Passei pelas botânicas da vida, a velha portuguesa com certeza já deve ter até morrido, que Deus
a tenha, coitada, gostava de ler as bobagens fitológicas que eu escrevia, não sei porque fui me lembrar disso agora...
Pensando bem, confesso aqui, fui um desses camaradas que passou pelas escolas esperando pelo sinal.
A prova era sobre fotossíntese e absorcão radicular ou qualquer coisa do gênero. Eu havia lido os xerox emprestados rapidamente no ônibus, do Castelo Branco ao campus universitário. O anfiteatro era imenso, lotadíssimo, umas cem pessoas, aquelas cadeiras geladas que doem a bunda da gente, e feitas apenas para destros. Os canhotos que se virem, que se entortem todos, já são tortos mesmo. Fazia um calor infernal, o ventilador um barulhão daqueles. Eu estava apaixonado por uma japonesinha da fisioterapia, a Aniko, que menina meiga, e marcara um encontro na lanchonete. Fui o primeirão a terminar e sair correndo da prova. Entreguei meus rabiscos à portuguesa e corri rumo à porta. Não deu tempo de chegar nem na metade do corredor e ela gritou lá debaixo, abanando o meu teste como se fosse um leque, "miguelangelo, fizeste uma prova miserávelll!" Todo mundo rachou a rir, tem gente que até hoje quando encontro na rua ainda parafraseia a velha portuguesa com seu sotaque engracado. Fiquei encabulado, estava quase lá fora quando ela completou " muito bem sei que não sabes nadinha, mas tenho que te dar um 5,5 pois escreves tão bem!"
Passei pelas botânicas da vida, a velha portuguesa com certeza já deve ter até morrido, que Deus
a tenha, coitada, gostava de ler as bobagens fitológicas que eu escrevia, não sei porque fui me lembrar disso agora...
maandag 20 oktober 2014
Ausências
Dėcadas um tanto ausente,
Fechando as portas deste
Passado quase dormente e
Mil perigos muros abrigos
Águas correntes que nunca
Voltam, meus pensamentos...
Girando em círculos passam
Os dias tal qual silêncios
Janelas tristes da fantasia
Entre ruídos que não existem
Senão os ventos de um oceano
Que nunca acalma dentro de mim...
Prefiro as partes quisera o todo,
Semblante ensaios vagos sentidos
Ondas as mágoas cores paisagens
Miragens flores que de passagem
Carrego em dores pelas viagens
Da alma aflita a buscar sem fim...
Fechando as portas deste
Passado quase dormente e
Mil perigos muros abrigos
Águas correntes que nunca
Voltam, meus pensamentos...
Girando em círculos passam
Os dias tal qual silêncios
Janelas tristes da fantasia
Entre ruídos que não existem
Senão os ventos de um oceano
Que nunca acalma dentro de mim...
Prefiro as partes quisera o todo,
Semblante ensaios vagos sentidos
Ondas as mágoas cores paisagens
Miragens flores que de passagem
Carrego em dores pelas viagens
Da alma aflita a buscar sem fim...
vrijdag 19 september 2014
Patinadas Inesqueciveis
Parece que estou ficando pior que o Toniquinho, meu querido falecido tio Tonico, louco pra embaralhar as coisas e trocar as bolas que nem ele so. Pois cada vez que dou uma patinada, como dizia o Mirtao, eu me pego lembrando das deles. Como nao tenho com quem conversar em portugues por aqui, passo a vida conversando comigo mesmo. Agora a pouco fui sentar no meu cantinho preferido do sofa e um dos moleques deixou uma manchona gigante de espaguete ou outro molho qualquer. lembro que minha mae jogava sal pra tirar manchas, tambem joguei, passei um pano com sabao e vi a coisa piorando, a mancha vermelha se expandindo e misturando com as fibras verdes da esponja de cozinha. Soltei um ditado toniquinhesco: "ficou pior a emenda que o peixe!?" Acho que agora que estou ficando velho vou ter que rir de minhas proprias patinadas, todavia as dele ate hoje me dao uma baita saudade daqueles bons tempos em Londrina.
Uma vez paramos ali naquela padaria da Avenida Tiradentes do lado do Marista, estacionou a velha Vemaguete vermelha de capota desbotada e cochinil meio amarelo querendo ir pro rosa. Chovia um pouco, e de sombrinha respingando e molhando todo o chao entramos na padaria. Pensando bem acho ate que ja escrevi isto em algum outro texo mais antigo, mas nao interessa. O velho pediu dez paenzinhos, duzentos e cinquenta gramas de presunto e duzentos e cinquenta gramas de mossarela. A mocinha polidamente informou que o presunto infelizmente acabara. Toniquinho sorriu, "Ah nao tem presunto, que pena, entao me da duzntos e cinquenta gramas de mossarela e duzentos e cinquenta de presunto". Eu estava ali do lado, talvez esperando a mocinha se abaixar pra enxergar melhor os peitos dela. Porem fiquei quieto, ela mais uma vez explicou com voz mais alta, pois achava que o velho nao a escutara direito, "o presunto acabara, senhor, so tinha mossarela ou mortadela". Se desculpando o velhinho bateu a mao no bonezinho xadrez que a Telma, minha irma mais velha tinha trazido pra ele dos EUA, "A que cabeca a minha, nao tem presunto nao, entao me da dez paenzinhos, duzentos e cinquenta gramas de mossarela e duzentos e cinquenta gramas de presunto!" Ate o dono da padaria chegou mais perto pra acudir, entretanto ninguem se conteve, nem a mocinha e nem eu mesmo, caimos na gargalhada em unissono, Toniquinho naquela tarde que nao volta nunca mais riu gostoso de suas proprias patinadas inesqueciveis!
donderdag 4 september 2014
Os Livros do Ze
E o tempo vai passando...Como passatempo estou tentando ler um livro chamado Brazilie, escrito por um tal de Ubaldo. Eu contei as paginas, sao 714 e tudo em holandes. O Ubaldo ate que escreve bem, sao paginas sem fim passando, todavia confesso que perco um pouco o fio da meada aqui e ali. Mas nao e culpa do Ubaldo apenas minha, eu e meu holandes que por sinal e muito pior que meu portugues, como se isso fosse possivel...
A coisa complicou quando ele falou do Reconcavo dele, acredito que seja o baiano, mas ainda nao tenho certeza, confesso aqui que pulei umas paginas, quis ir la no fim mas nao fui...
Lembrei com saudades do Ze Galinha, um amigo que eu tinha e que vivia comprando livros complicadissimos. Uma vez fui morar uns tempos na republica dele. O Ze tinha mania de colecionar tenis de marca e namoradas. Os tenis brancos ficavam enfileirados no canto do quarto, debaixo da janela, um monte de vidrinhos de perfume e na prateleira inumeros livros e dicionarios da lingua portuguesa, inglesa, francesa, pensando bem ate holandesa.
Na epoca o Humberto Eco era o tal, e era o de cabeceira do bom Jose. As visitas e principalmente as futuras namoradas ficavam impressionadas com erudicao do meu amigo Ze. Um dia estava sem fazer nada e resolvi folhear uns exemplares daquela biblioteca maravilhosa ali aos meus pes. Abri o Cem Anos de Solidao, com uma orelha numa pagina quase no finalzinho. O Ze falou orgulhoso, esse e do cacete! Notei que algumas paginas estavam ainda grudadas umas nas outras, mas fiquei quieto, quando fui folhear um grossao acho que era do Joao Cabral de Mello Neto, notei que estava imaculado, novinho, com paginas tambem virgens, todavia uma orelhona bem no meio. Fiquei meio cabreiro, perguntei ao Ze se lia de verdade aquelas obras literarias maravilhosas, ele quis desconversar, disse que estava com pressa, tinha que sei la ir ao Banco que estava quase fachando. Como nao tinha nada pra fazer fui junto na garupa da moto. No final da tarde, depois de tomar umas geladas ele se abriu pra mim, disse que visitava as livrarias e perguntava as balconistas, qual era o melhor, mais vendido, mais grossao, com capa bonita, comprava logo uns dois ou tres, lia o titulo, prologo e fim, deixava marcado no meio pra dar moral, mas esperto como era sabia o nome dos personagens eum pouco da trama. A gente era amigo de verdade, gostava do Ze, tambem confessei que gostava de escrever mas nao de ler, coisa paradoxal minha, todavia... Ele tambem confessou que o unico de verdade que leu na vida foi o Olhai os Lirios do Campo, eu tambem tinha lido na escola, so que pulei um monte de paginas!
A minha vida e assim como os livros do Ze, as vezes so sei o nome dos personagens, outras o comeco, fica faltando o fim, as vezes um fim sem comeco, assim como esta saudades do meu Brasil...
Voltei ao Reconcavo do Ubaldo, onde andara o Ze Galinha por esses dias. So lembro o apelido dele, pena que nao da pra procurar no Facebook por apelido.
A cachorrinha da vizinha comecou a latir, coitada, esta la sozinha no quintal choramingando. Se chama Angel e segundo a vizinha e ADHD, ou seja muito louca. Orelhei o Ubaldo e sai pro quintal pra consolar a Angel. "Como vai essa menina linda!!! com um tom de voz meio agudo que so uso quando falo com bebes ou cachorrinhos.
Ouvi a coitada dar um latido alegre la do outro lado do muro, queria brincar com ela, afagar-lhe as orelhas macias. Ambos empolgados, ela latindo, eu gritei mais alto " como vai essa menina linda?"
No mesmo instante a velha gorda vizinha do outro lado saiu com a bicicleta dela pelo portao do fundo. Tem que se espremer toda pra poder passar pela brecha apertada. Por coincidencia ela acabara de voltar de ferias da Dinamarca, onde o filho gay mora com o namorado. Pelo tamanho do sorriso e a piscada de olhos com certeza pensa que a dos meus olhos e ela. Inusitado momento, coisas que parecem que so acontecem comigo. Acho que vou voltar pro Ubaldo, mas so de sacanagem acho que vou pular mais de setecentas em homenagem ao meu amigo Ze e cair sozinho no Brazilie la no finalzinho...
donderdag 17 juli 2014
Copas do mundo do passado e presente
Fiquei vermelho de vergonha, confesso que quase chorei. Minutos antes do jogo contra a Alemanha meus filhos tiraram uma foto minha deitadao no sofa embrulhado na bandeira verde e amarela servindo de cobertor. Deixei me levar pelo velho orgulho patrio que como a cansada esperanca e o ultimo que vai morrer, e num subito momento de alegria virtual colei no meu perfil do facebook, com uma vontade imensa de estar ai junto de meus irmaos, amigos do passado, enfim de todo esse povo brasileiro maravilhoso do qual numca me esqueci. Nao sei porque isso sempre acontece comigo, sempre que fico empolgado com alguma coisa e me deixo levar nas ondas tsunamicas deste orgulho levo na cabeca. Num passou dois minutos e levamos o primeiro gol. Ate ai tudo bem, pois quem ri por ultimo ri melhor, traduzi do holandes para o bom idioma que meus filhos pouco entendem. Na mesma semana, levado tambem pela onda da copa, infinitas imagem de Fortaleza, Copacaba, do Cristo, muito samba e gente feliz, coisas que passavam diariamente nos jornais, resolvi ensinar algumas palavras a eles. Por onde passo pela cozinha, corredor, sala, ate no banheiro vou colando desses papeizinhos amarelos de deixar mensagem com frases em portugues, palavras soltas, ditados, etc. Fiz isso pra melhorar o vocabulario minusculo que andaram pegando de ouvido, aqui e ali, sem estudar as partituras. Nao sei se e coisa de moleque mas so falam besteirol, ainda por cima errado e com sotaque muito forte. Mas tudo bem, aprenderam o que e espelho, escada, toalha, panela, torneira, papel higienico, emfim coisas importantes e do quotidiano da gente.
No segundo gol comecei a ficar emio cabreiro, os sms no celular deles comecaram a chover sem parar, amigos e amigas tirando um sarro em cima. Depois do terceiro gol, com os David Luis ja quase chorando no meio da zaga, o Filipao meio barrigudo como um espantalho do lado do campo, as imagens das mocinhas todas pintadas de verde e amarelo chorando, todo mundo de boca aberta, a cara de filho da puta do Muller, foi me dando um no no peito, e aquela certeza triste que nao teria mais jeito e seria de goleada. Quando terminou o primeiro tempo corri pro computador e abri o facebook para tirar a tal foto de mim mesmo com cara de bobo, mas infelizmente era tarde demais, os comentarios chegavam sem parar, havia sido compartilhado pela familia e amigos, cortado e colado em outras paginas, compartilhado assim meu orgulho carente e minha tristeza ambundante e dormente...
Aqui do outro lado do mundo ja era quase meia-noite, depois do quinto gol mal torcedor que sempre fui, deixei o navio em chamas naufragando no meio do oceano e fui dormir chateado. Um de meus filhos, um pouco por pena de mim ainda me deu um "boa noito"...
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