Passos, passagens,
oásis, mirangens,
momentos eu sou,
coisas sem sentido,
aprendo de ouvido,
canções que entôo,
préteritos do agora,
por dentro ou fora,
este ano que chega,
2011 que passou...
woensdag 28 december 2011
woensdag 14 december 2011
O Casamento do Pata
É que eu sempre tive vontade de escrever esta estória mas nunca parei prá pensar no Santo. Que Santo, meu? Assunto! Assunto é a palavra que eu digitei mas este computador burro e teimoso fica me corrigindo as coisas, acrescentando aqui e ali as tolices dele, como se já não bastassem as minhas. É que o coitado pensa em holandês e vai traduzindo do jeito dele este meu vocabulário. Assunto vira Santo, casamento, lamento, e assim por diante. Mas tudo bem, eu descorrijo-o e sigo em frente. O Pata se casou acho que foi em fevereiro, num dia de sol bem quente numa cidadezinha do interior de Minas, Coronel ou Conselheiro não sei do quê. No dia anterior os amigos tinham feito a tal despedida de solteiro dele, e corriam avidamente esvaziando todos os freezers e geladeiras que encontravam pela frente. Eu me lembro de ter dançado o "Bandeira Branca Amor" com uma vassoura de piaçava no meio de algum salão. De repente apareceu dobrando a esquina uma carroça de aluguel trazendo um moço barbudinho com uma cara de castor, ou um desses roedores todavia hippies, alguém gritou "Pô olha lá, essa festa vai ser de arromba, veio até o Ratinho!". Ele assim como mais da metade dos convidados que ninguém convidou. Eu era irmão do noivo e nunca fui paparicado tanto assim por estranhos em outro casamento nesta vida. Gostei muito, até que um dos amigos do Pata entrou numas de dar em cima da minha mãe, que naquela época pensando bem devia ser uma viúva cinquentona de parar o trânsito. Não que em Coronel ou Conselheiro não sei do quê tivesse trânsito algum naquela tarde ensolarada de verão, com exceção da carrocinha do Ratinho. O cara se encostou em mim, me trazia empadinhas, churrasco, latinhas de cerveja gelada, e depois ficava parado babando do lado da coroa, "Poxa não sabia que o Pata tinha uma mãe tão distinta assim". Distinta o cacete, ele queria era à todo custo agarrar a minha velha, que Deus a tenha, ficou deveras lisonjeada com os avanços apaixonados do rapaz. Eu fiquei com ciúme. Mas depois me esqueci e fui acompanhar o Ratinho que tinha achado um máquina dando sopa e estava agora dando umas de fotógrafo. A noiva até que era bonitinha e tinha trazido uma amiga de olhos verdes muito linda que parecia a Gal Costa, mas com as pernas bem cabeludas, acho que o sovaco também, só que emanava um perfume gostoso de patchouli. O Ratinho encostou nela, eu me encostei também. Pelo cheiro alguém andou fumando maconha lá atrás no corredor. Eu fiquei na minha. Ah, como eu queria ter dançado um bolero com a Gal naquele dia de festa mas acabei com a vassoura.
A cerimônia, como tudo naquele matrimônio inusitado foi muito embolada. Primeiro a despedida de solteiro do rapaz e da moça, depois acabou virando prá festa, e no outro dia a cerimônia religiosa na igreja.
Um tal de Paulinho que era a testemunha de honra do casal entrou catando cavaco na igreja e caiu de bunda numa moita desses arbustos vermelhos repletos de espinhos, coroa de cristo acho que é o nome. O Ratinho quis tirar os espinhos com uma pinça improvisada mas o outro ficou brabo, disse que assim não dava, pois o Ratinho estava passando a mão, e acabou preferindo deixar prá depois que a Ângela iria tirar em casa quando chegassem.
Quando a noiva entrou toda bonita o tocafitas da igreja enroscou e alguém puxou o " tonto tontom, até que enfim, até que enfim, achei um trouxa que gosta de mim". Minha mãe sorriu e cantou alegremente, penso que lembrando do próprio casamento com o velho Maroca lá pelos idos de 1947, o moço apaixonado da fileira de trás também cantou-a. Eu que sou um cara encabulado cantei em voz alta, todo mundo cantou, menos o padre, um carequinha espanhol de bigode que pelo jeito já estava ficando meio cabreiro.
Prá completar as coisas o Ratinho me aparece lá atrás no altar com a tal máquina fotográfica dele na mão, tropeçou numa cadeira e derrubou todos os castiçais e as velas no chão. O Padre ficou muito puto e deu um esporro daqueles no noivo, na noiva, enfim em todos os demais presentes. Eu curti demais aquilo tudo. Parecia um filme do Felini, coisa de gibis. O Pata pediu as desculpas dele, com um sorriso meio amarelado procurou em desespero no bolso do paletó o anel. Não tinha trazido. O Ratinho tirou o dele, um desses de caveira de brucutu e passou em frente. Na porta da igreja o próximo casal esperava apressado a vez deles de entrar naquele palco. O Padre encurtou a cerimônia pela metade. Um japonês com nome de Bóia abriu o porta-malas de um chevete velho e soltou três caixas de rojões bem em frente da igreja.
A carrocinha amarela de aluguel do Ratinho apareceu numa curva e levou os noivos prá lua-de-mel deles. Eu fiquei parado à sombra de um flamboyant vermelho florido, ouvindo os fogos de artifício do Bóia, pensando em escrever esta estória e esperando pela Gal que nunca apareceu.
Joe Paz
16.12.2011
vrijdag 9 december 2011
Desencontros
Nem todos os caminhos um dia se encontram,
alguns passam perto da gente prá ir morrer em algum rio,
porém a vida é essa estrada repleta de infinitos atalhos,
vales, mares distantes, desvios de nossas almas cansadas
em mim este afã é pura saudade de um dia te encontrar...
alguns passam perto da gente prá ir morrer em algum rio,
porém a vida é essa estrada repleta de infinitos atalhos,
vales, mares distantes, desvios de nossas almas cansadas
em mim este afã é pura saudade de um dia te encontrar...
donderdag 1 december 2011
Apelidos Antigos
A gente não devia por apelido nas pessoas. Eu sei que às vezes é legal, mas na minha opinião há que se evitar isso, e fica aqui o meu alerta. Por alguma razão desconhecida sempre tive essa aptidão natural de ver a cara do peão e apelidá-lo ali na horinha. Assim foram passando por mim milhares de conhecidos e desconhecidos os quais eu ia dando nomes peculiares muitas vezes somente dentro de minha cabeça. Alguns pegaram, outros não. Hoje mais de trinta anos depois ainda me lembro com saudades do "Compreti". A família dele veio morar lá na vila e um dia, acho que a mãe era desquitada, eu sei que ele apareceu na roda e todo orgulhoso com o sorriso nas orelhas falou solenimente: "hoje eu compreti 9 anos". Não deu outra, foi pá bum, quase sem querer, de Carlinhos sei lá do que, passou a se chamar Compreti. Ele cresceu, virou um negão enorme, goleiro de algum time do interior paulista. Dizem que o Compreti fez sucesso, penalties era a especialidade dele, pegava todos, mas eu sei que perdi totalmente o contado com ele.
Assim como perdi o contado com centenas de amigos outrora apelidados por mim. Pena que agora eu só me lembre do primeiro nome e dos apelidos que um dia coloquei, e infelizmente sei que jamais vou encontrá-los nesta vida novamente, nem mesmo no facebook. Fico aqui pensando, será que tem internet no céu?
Assim como perdi o contado com centenas de amigos outrora apelidados por mim. Pena que agora eu só me lembre do primeiro nome e dos apelidos que um dia coloquei, e infelizmente sei que jamais vou encontrá-los nesta vida novamente, nem mesmo no facebook. Fico aqui pensando, será que tem internet no céu?
donderdag 17 november 2011
Razões
Acho que é por isso que nunca fui prá frente nos negócios, pois por alguma dúvida do destino tenho esse don de pagar o dobro pelas coisas que compro prá depois vendê-las pela metade do preço. Na minha família meus irmãos já desfrutam de uma aposentadoria legal e eu aqui sem ter nem um rabo prá pegar pelo gato. É que sempre gostei de trocar as coisas de lugar, de trás prá frente prá ver como fica, de frente prá trás só prá me alugar, como um macaco pulando de galho em galho, nunca ouvi direito os bons conselhos da Dona Tereza, deixei todas as certezas que tinha prá trás e sai pelo mundo à procura do incerto, pois a incerteza é a minha bússola, tal qual um ímã natural pulsando dentro de mim, atraindo e repelindo situações e sentimentos.
Razão
tudo na cabeça, nada na cabeça,
nada no coração, tudo no coração,
quando penso quando sinto
é desencontro, é reencontro,
pensar as coisas sentir as coisas
minha ilusão, minha razão...
Razão
tudo na cabeça, nada na cabeça,
nada no coração, tudo no coração,
quando penso quando sinto
é desencontro, é reencontro,
pensar as coisas sentir as coisas
minha ilusão, minha razão...
maandag 14 november 2011
Friozinho na barriga
Tanta coisa que a gente fala sem pensar, outras vive pensando à torto e à direita, sem todavia dizer nada prá ninguém, o que talvez no fundo seja até muito bom, pois tenho observado que o mundo ao meu redor está cada vez mais "congestionado" de idéias, sons, imagens, etc. Parece até que o ser humano moderno, principalmente a juventude de hoje em dia, através dos meios de comunicação tão fáceis e acessíveis como a internet, a telefonia celular e sei lá mais o que, tem uma necessidade quase que doentia de se expressar aos cotovelos. Infelizmente tenho a impressão de que o mundo atual é apenas mais um reflexo dos pensamentos absurdos, sonhos e pesadelos de nossa raça. Onde esta megalomania louca, e isso tudo mais vai dar eu não tenho a menor idéia, mas confesso que me dá um friozinho na barriga quando paro um pouco prá pensar no assunto. Assim sendo, alguns parágrafos meus a menos ou a mais nesta lambança cultural toda não vão fazer diferença alguma. Por isso escrevo.
maandag 7 november 2011
Errei
Antigamente eu ia escrevendo e colocando nestas gavetas tão repletas de coisas esquecidas pela vida. Um dia qualquer me dava na telha, fazia arrumação e acabava jogando quase tudo fora, lindos poemas de amor, contos, estórias, etc. Tanta bobagem outrora pensada e à mão esquerda escrita já não passou rabiscada por mim. Hoje em dia este blog virou minha gaveta virtual, pois aqui vou escrevendo e deixando tudo ficar parado no ar. A internet é pará mim um buracão negro onde as coisas desaparecem num clique, prá depois aparecerem de novo num passe de mágica, todavia sempre curiosamente nesta minha tela.
Tenho assim assistido muita coisa boa que sempre quis assistir, porém muita coisa ruim das quais sempre mantivera distância. Talvez tudo tenha lá seu lado bom e infelizmente o ruim, como a própria vida da gente. Tenho procurado desta maneira buscar contato com pessoas esquecidas no tempo e na distância, e assim sendo me redimir de algumas de minhas cagadas mais graves cometidas nesta encarnação. Vou clicando os nomes pelo facebook e pelo google, pedindo minhas sinceras desculpas, muitas vezes os caras e as moças estão lá levando a vidinha deles e nem se lembram mais de mim, mas não tou nem aí, quero a consciência limpa pois "errei, quero um chance prá recomeçar, dizem que pau que nasce torto morre torto, eu não sou pau, posso me regenerar..."
Tenho assim assistido muita coisa boa que sempre quis assistir, porém muita coisa ruim das quais sempre mantivera distância. Talvez tudo tenha lá seu lado bom e infelizmente o ruim, como a própria vida da gente. Tenho procurado desta maneira buscar contato com pessoas esquecidas no tempo e na distância, e assim sendo me redimir de algumas de minhas cagadas mais graves cometidas nesta encarnação. Vou clicando os nomes pelo facebook e pelo google, pedindo minhas sinceras desculpas, muitas vezes os caras e as moças estão lá levando a vidinha deles e nem se lembram mais de mim, mas não tou nem aí, quero a consciência limpa pois "errei, quero um chance prá recomeçar, dizem que pau que nasce torto morre torto, eu não sou pau, posso me regenerar..."
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