Uma página em branco à minha frente é um alívio pros meus males, talvez pela perspectiva de uma nova idéia, um novo começo ou remédio prá mais um triste fim.
Ter a liberdade de escrever as minhas próprias bobagens é uma satisfação incrível que gosto de exercitar quando posso, mesmo que as minhas palavras venham agora se perder nas malhas desta rede internética já tão repleta de tantas palavras de outros.
Infelizmente tenho a impressão de que a gente e o nosso lixo não está apenas poluindo e destruindo todos os cantos deste planeta, mas também não posso deixar de pensar em todo este lixo digital contemporâneo que me assombra todas as vezes que entro online. Meu Deus do céu, onde vai parar este mundo! Tenho a impressão de que estamos todos falando, ou melhor gritando ao mesmo tempo, nesta nossa cacofonia virtual, todavia ninguém se ouvindo.
dinsdag 8 mei 2012
vrijdag 4 mei 2012
Cantor Embaraçado
Eu sempre gostei de cantar. Desde pequeno perambulando pelos quintáis da minha infância tentava em vão imitar o Moacyr Franco ou as coisas do Roberto. Naquela época o radinho de pilha que a Cidoca, a empregada lá de casa deixava o dia inteiro ligado não parava de tocar o "Detalhes", logo depois "Cavalgada".
Sei lá porque quando lembrava do "Luzes da Ribalta" eu chorava, se não prestar atenção choro até hoje, quase quarenta anos depois.
Um dia o Mirtão apareceu lá em casa com um violão "trovador". Acho que foi meio por instinto, ou talvez por pura falta de ter o que fazer, que comecei a dedilhar as minhas primeiras coisas em cima dele. Dali prá frente nunca mais parei. Quando fico triste ou com saudades prá valer pego a viola e canto desafinado o "Gente Humilde".
Infelizmente nasci com as cordas vocais meio embaraçadas e por mais que queira ou tente, não consigo deixar nem uma única nota afinada pairando no ar, ficam todas assim como se batendo na trave, isso quando batem, pois a maioria é bola pro mato mesmo.
Assim sendo sempre sonhei em acompanhar uma cantora. Tinha na cabeça alguém com uma voz suave, meio sexy, cantando as bossa novas, onde eu iria com meu violão harmonizando tudo com acordes bem dissonantes, todavia lindos.
Nunca aconteceu, até andei colocando anúncios neste jornaizinhos musicais, pela internet, nada. Uns tempos atrás me apareceu uma cantora holandesa interessada. Marcamos um ensaio, quando ela chegou aqui na porta de casa era uma velha de uns 65 anos, parecia a tia Nice, e ela cantou o "Madalena" meio em ritmo de rumba mais ou menos assim: "a Matalena, o meu pecho percepeu" com uma voz rouca de fumante ou ex-fumante. Gravamos o "Matalena" dela mas ficou só nisso.
O tempo passou, eu já tava quase desistindo das minhas bossas, não é que me aparece o John, vou traduzir o nome dele, Jão Babuíno, cantor ex-roqueiro holandês que agora descobriu e cismou em cantar bossa novas comigo. Quarentão que nem eu, narigudo, parece a fotocópia do Juca Chavez, mas duas ou três vezes o tamanho dele, cabelão loiro quase até a cintura, sapatão nr. 45, um violão todo fodido, colado às pressas com durepox, emendado com parafusos. Como a vida muitas vezes não passa de uma selva, a minha um circo e o Babuíno canta legal, todas quarta-feiras a gente se diverte, fomos até convidados prá em junho tocar num restaurante daqui do vilarejo.
Sei lá porque quando lembrava do "Luzes da Ribalta" eu chorava, se não prestar atenção choro até hoje, quase quarenta anos depois.
Um dia o Mirtão apareceu lá em casa com um violão "trovador". Acho que foi meio por instinto, ou talvez por pura falta de ter o que fazer, que comecei a dedilhar as minhas primeiras coisas em cima dele. Dali prá frente nunca mais parei. Quando fico triste ou com saudades prá valer pego a viola e canto desafinado o "Gente Humilde".
Infelizmente nasci com as cordas vocais meio embaraçadas e por mais que queira ou tente, não consigo deixar nem uma única nota afinada pairando no ar, ficam todas assim como se batendo na trave, isso quando batem, pois a maioria é bola pro mato mesmo.
Assim sendo sempre sonhei em acompanhar uma cantora. Tinha na cabeça alguém com uma voz suave, meio sexy, cantando as bossa novas, onde eu iria com meu violão harmonizando tudo com acordes bem dissonantes, todavia lindos.
Nunca aconteceu, até andei colocando anúncios neste jornaizinhos musicais, pela internet, nada. Uns tempos atrás me apareceu uma cantora holandesa interessada. Marcamos um ensaio, quando ela chegou aqui na porta de casa era uma velha de uns 65 anos, parecia a tia Nice, e ela cantou o "Madalena" meio em ritmo de rumba mais ou menos assim: "a Matalena, o meu pecho percepeu" com uma voz rouca de fumante ou ex-fumante. Gravamos o "Matalena" dela mas ficou só nisso.
O tempo passou, eu já tava quase desistindo das minhas bossas, não é que me aparece o John, vou traduzir o nome dele, Jão Babuíno, cantor ex-roqueiro holandês que agora descobriu e cismou em cantar bossa novas comigo. Quarentão que nem eu, narigudo, parece a fotocópia do Juca Chavez, mas duas ou três vezes o tamanho dele, cabelão loiro quase até a cintura, sapatão nr. 45, um violão todo fodido, colado às pressas com durepox, emendado com parafusos. Como a vida muitas vezes não passa de uma selva, a minha um circo e o Babuíno canta legal, todas quarta-feiras a gente se diverte, fomos até convidados prá em junho tocar num restaurante daqui do vilarejo.
dinsdag 1 mei 2012
Lembrando das coisas
E você foi lembrar do "pinto com fimose", poxa quanto tempo, ele cantava por aí nos barzinhos da noite. Mais um apelido que coloquei em alguém e mais um nome que infelizmente já não me lembro mais.
Mas lembrei do "gato de borracha" da sua irmã, do trompete do seu pai que a sua mãe acho que escondia dentro do armário pro coitado do velho não tocar! Bons tempos.
O tempo passa, o tempo fica. Presidente Prudente ficou também dentro de mim. Nasci ali na rua Rui Barbosa em 1963, naquela época uma ruazinha pacata e feia sem alfalto que ficava entre a 7 de setembro, (ou era 12 de outrubro?) e a Mário Simões de Souza. Um calor infernal e um poeirão de areia danado, volta e meia passava um carroceiro de aluguel e os cavalos que não sei porque cargas d'água, cismavam de cagar bem na frente de casa. A gente tinha um cachorro preto meio mocorongo que se chamava "Suingue", e moleque "quase" alfabetizado eu escrevia o nome dele assim, com u e um e , e parece que o tonto ficava lá na dele esperando, era só os cavalos passarem que ele acordava de seus sonhos caninos prá sair debaixo das sombras varandais da minha infância, correndo como um fantasma louco prá se rolar todo na merda. Sei lá que fim levou aquele cão maluco, deve ter morrido de velhice, ou foi atropelado pela modernidade irrefutável de algum carro despercebido que passou rápido demais como o tempo, numa dessas sessões inusitadas dele e minha, ambos atravessados no meio de nossas ruas.
Mas lembrei do "gato de borracha" da sua irmã, do trompete do seu pai que a sua mãe acho que escondia dentro do armário pro coitado do velho não tocar! Bons tempos.
O tempo passa, o tempo fica. Presidente Prudente ficou também dentro de mim. Nasci ali na rua Rui Barbosa em 1963, naquela época uma ruazinha pacata e feia sem alfalto que ficava entre a 7 de setembro, (ou era 12 de outrubro?) e a Mário Simões de Souza. Um calor infernal e um poeirão de areia danado, volta e meia passava um carroceiro de aluguel e os cavalos que não sei porque cargas d'água, cismavam de cagar bem na frente de casa. A gente tinha um cachorro preto meio mocorongo que se chamava "Suingue", e moleque "quase" alfabetizado eu escrevia o nome dele assim, com u e um e , e parece que o tonto ficava lá na dele esperando, era só os cavalos passarem que ele acordava de seus sonhos caninos prá sair debaixo das sombras varandais da minha infância, correndo como um fantasma louco prá se rolar todo na merda. Sei lá que fim levou aquele cão maluco, deve ter morrido de velhice, ou foi atropelado pela modernidade irrefutável de algum carro despercebido que passou rápido demais como o tempo, numa dessas sessões inusitadas dele e minha, ambos atravessados no meio de nossas ruas.
woensdag 28 december 2011
2011
Passos, passagens,
oásis, mirangens,
momentos eu sou,
coisas sem sentido,
aprendo de ouvido,
canções que entôo,
préteritos do agora,
por dentro ou fora,
este ano que chega,
2011 que passou...
oásis, mirangens,
momentos eu sou,
coisas sem sentido,
aprendo de ouvido,
canções que entôo,
préteritos do agora,
por dentro ou fora,
este ano que chega,
2011 que passou...
woensdag 14 december 2011
O Casamento do Pata
É que eu sempre tive vontade de escrever esta estória mas nunca parei prá pensar no Santo. Que Santo, meu? Assunto! Assunto é a palavra que eu digitei mas este computador burro e teimoso fica me corrigindo as coisas, acrescentando aqui e ali as tolices dele, como se já não bastassem as minhas. É que o coitado pensa em holandês e vai traduzindo do jeito dele este meu vocabulário. Assunto vira Santo, casamento, lamento, e assim por diante. Mas tudo bem, eu descorrijo-o e sigo em frente. O Pata se casou acho que foi em fevereiro, num dia de sol bem quente numa cidadezinha do interior de Minas, Coronel ou Conselheiro não sei do quê. No dia anterior os amigos tinham feito a tal despedida de solteiro dele, e corriam avidamente esvaziando todos os freezers e geladeiras que encontravam pela frente. Eu me lembro de ter dançado o "Bandeira Branca Amor" com uma vassoura de piaçava no meio de algum salão. De repente apareceu dobrando a esquina uma carroça de aluguel trazendo um moço barbudinho com uma cara de castor, ou um desses roedores todavia hippies, alguém gritou "Pô olha lá, essa festa vai ser de arromba, veio até o Ratinho!". Ele assim como mais da metade dos convidados que ninguém convidou. Eu era irmão do noivo e nunca fui paparicado tanto assim por estranhos em outro casamento nesta vida. Gostei muito, até que um dos amigos do Pata entrou numas de dar em cima da minha mãe, que naquela época pensando bem devia ser uma viúva cinquentona de parar o trânsito. Não que em Coronel ou Conselheiro não sei do quê tivesse trânsito algum naquela tarde ensolarada de verão, com exceção da carrocinha do Ratinho. O cara se encostou em mim, me trazia empadinhas, churrasco, latinhas de cerveja gelada, e depois ficava parado babando do lado da coroa, "Poxa não sabia que o Pata tinha uma mãe tão distinta assim". Distinta o cacete, ele queria era à todo custo agarrar a minha velha, que Deus a tenha, ficou deveras lisonjeada com os avanços apaixonados do rapaz. Eu fiquei com ciúme. Mas depois me esqueci e fui acompanhar o Ratinho que tinha achado um máquina dando sopa e estava agora dando umas de fotógrafo. A noiva até que era bonitinha e tinha trazido uma amiga de olhos verdes muito linda que parecia a Gal Costa, mas com as pernas bem cabeludas, acho que o sovaco também, só que emanava um perfume gostoso de patchouli. O Ratinho encostou nela, eu me encostei também. Pelo cheiro alguém andou fumando maconha lá atrás no corredor. Eu fiquei na minha. Ah, como eu queria ter dançado um bolero com a Gal naquele dia de festa mas acabei com a vassoura.
A cerimônia, como tudo naquele matrimônio inusitado foi muito embolada. Primeiro a despedida de solteiro do rapaz e da moça, depois acabou virando prá festa, e no outro dia a cerimônia religiosa na igreja.
Um tal de Paulinho que era a testemunha de honra do casal entrou catando cavaco na igreja e caiu de bunda numa moita desses arbustos vermelhos repletos de espinhos, coroa de cristo acho que é o nome. O Ratinho quis tirar os espinhos com uma pinça improvisada mas o outro ficou brabo, disse que assim não dava, pois o Ratinho estava passando a mão, e acabou preferindo deixar prá depois que a Ângela iria tirar em casa quando chegassem.
Quando a noiva entrou toda bonita o tocafitas da igreja enroscou e alguém puxou o " tonto tontom, até que enfim, até que enfim, achei um trouxa que gosta de mim". Minha mãe sorriu e cantou alegremente, penso que lembrando do próprio casamento com o velho Maroca lá pelos idos de 1947, o moço apaixonado da fileira de trás também cantou-a. Eu que sou um cara encabulado cantei em voz alta, todo mundo cantou, menos o padre, um carequinha espanhol de bigode que pelo jeito já estava ficando meio cabreiro.
Prá completar as coisas o Ratinho me aparece lá atrás no altar com a tal máquina fotográfica dele na mão, tropeçou numa cadeira e derrubou todos os castiçais e as velas no chão. O Padre ficou muito puto e deu um esporro daqueles no noivo, na noiva, enfim em todos os demais presentes. Eu curti demais aquilo tudo. Parecia um filme do Felini, coisa de gibis. O Pata pediu as desculpas dele, com um sorriso meio amarelado procurou em desespero no bolso do paletó o anel. Não tinha trazido. O Ratinho tirou o dele, um desses de caveira de brucutu e passou em frente. Na porta da igreja o próximo casal esperava apressado a vez deles de entrar naquele palco. O Padre encurtou a cerimônia pela metade. Um japonês com nome de Bóia abriu o porta-malas de um chevete velho e soltou três caixas de rojões bem em frente da igreja.
A carrocinha amarela de aluguel do Ratinho apareceu numa curva e levou os noivos prá lua-de-mel deles. Eu fiquei parado à sombra de um flamboyant vermelho florido, ouvindo os fogos de artifício do Bóia, pensando em escrever esta estória e esperando pela Gal que nunca apareceu.
Joe Paz
16.12.2011
vrijdag 9 december 2011
Desencontros
Nem todos os caminhos um dia se encontram,
alguns passam perto da gente prá ir morrer em algum rio,
porém a vida é essa estrada repleta de infinitos atalhos,
vales, mares distantes, desvios de nossas almas cansadas
em mim este afã é pura saudade de um dia te encontrar...
alguns passam perto da gente prá ir morrer em algum rio,
porém a vida é essa estrada repleta de infinitos atalhos,
vales, mares distantes, desvios de nossas almas cansadas
em mim este afã é pura saudade de um dia te encontrar...
donderdag 1 december 2011
Apelidos Antigos
A gente não devia por apelido nas pessoas. Eu sei que às vezes é legal, mas na minha opinião há que se evitar isso, e fica aqui o meu alerta. Por alguma razão desconhecida sempre tive essa aptidão natural de ver a cara do peão e apelidá-lo ali na horinha. Assim foram passando por mim milhares de conhecidos e desconhecidos os quais eu ia dando nomes peculiares muitas vezes somente dentro de minha cabeça. Alguns pegaram, outros não. Hoje mais de trinta anos depois ainda me lembro com saudades do "Compreti". A família dele veio morar lá na vila e um dia, acho que a mãe era desquitada, eu sei que ele apareceu na roda e todo orgulhoso com o sorriso nas orelhas falou solenimente: "hoje eu compreti 9 anos". Não deu outra, foi pá bum, quase sem querer, de Carlinhos sei lá do que, passou a se chamar Compreti. Ele cresceu, virou um negão enorme, goleiro de algum time do interior paulista. Dizem que o Compreti fez sucesso, penalties era a especialidade dele, pegava todos, mas eu sei que perdi totalmente o contado com ele.
Assim como perdi o contado com centenas de amigos outrora apelidados por mim. Pena que agora eu só me lembre do primeiro nome e dos apelidos que um dia coloquei, e infelizmente sei que jamais vou encontrá-los nesta vida novamente, nem mesmo no facebook. Fico aqui pensando, será que tem internet no céu?
Assim como perdi o contado com centenas de amigos outrora apelidados por mim. Pena que agora eu só me lembre do primeiro nome e dos apelidos que um dia coloquei, e infelizmente sei que jamais vou encontrá-los nesta vida novamente, nem mesmo no facebook. Fico aqui pensando, será que tem internet no céu?
Abonneren op:
Posts (Atom)